O que é o abuso obstétrico? 

 

O abuso obstétrico consiste na intervenção clínica sobre a grávida/parturiente/puérpera, ou sobre o seu bebé, sem informação prestada à mulher alvo de intervenção e/ou sem o seu consentimento prévio, ou com consentimento prestado sob qualquer forma de pressão ou contra-informação, o que constitui, por si só, uma forma de abuso.

 

Evite o abuso obstétrico.

É possível prevenir o abuso obstétrico. A chave é a informação.

 

Reconheça e enfrente o abuso obstétrico.

É possível ultrapassar uma situação de abuso obstétrico. A chave é a partilha.

 

BEM-VINDO!

 

Fórum Mal Me Quer

Data 14-03-2016

De Mafalda Rodrigues

Assunto Mais um parto extremamente difícil

Responder

Boa noite,

O meu parto foi provocado às 41 semanas através de um comprimido vaginal. Às 18h do dia 5 de Novembro rebentaram-me as águas, no hospital , fui levada para a sala de partos. Estive 18 horas em trabalho de parto. Nessas 18 horas apanhei umas 5 equipas diferentes de enfermagem e médicos. A minha dilatação parou aos 8,5 dedos, quase 9 não avançava, apesar das várias tentativas de médicos e enfermeiros o tentarem fazer com as próprias mãos (tentar ver se o colo do útero "apagava"); a pulsação da minha filha começou a acelerar e até me deram um medicamento para ela acalmar, ainda dentro de mim pelo que já começava a entrar em sofrimento. Estava já a amanhecer quando aparece um médico indignado por ainda ninguém me ter feito uma ecografia para ver como estava a minha filha. Ele fez a eco e Só o ouvi dizer: “bebé grande, já não tem líquido, mal posicionada, mãe de estrutura pequena, isto é para cesariana”.

Entretanto trocam o turno e o Dr faz nova ecografia para mostrar à médica seguinte como estava e ela concorda que deveria ser uma cesariana. Entretanto sai do quarto e quando volta muda de opinião e acha que me consegue fazer um parto normal. Nunca ouvi ninguém dizer que eu já tinha os 10 dedos de dilatação nem o colo do útero completamente apagado, mas continuavam a forçar o mesmo. Às 11 da manhã do dia 6 levaram-me para a sala de operações. Ainda pensei que me fossem fazer cesariana mas não. O meu parto foi das coisas mais difíceis que fiz. Estive 1 hora dentro daquela sala a fazer força. Colocaram-me ventosas; cortaram-me e ainda utilizaram forcepes, enquanto isso tinha 2 enfermeiras a pressionarem-me a barriga, depositando todo o peso delas nos braços de modo a conseguirem arrancar a minha bebé. Devo dizer que senti tudo: senti as ventodas, as maos a colocarem as ventosas, o corte, os ferros que ainda me rasgaram mais um pouco e novamente as maos, não estava sob efeito de nenhuma anestesia.

A minha filha nasceu com 4,330kg e 52cm, medidos uma semana depois no centro de saúde pois no hospital, como ela estava magoada não mediram direito e colocaram 50cm. Eu antes de engravidar pesava 45kg sem nunca ter feito dieta (para imaginarem a figura ). A minha filha foi logo levada, não a vi nem ouvi sequer. Não me disseram nada enquanto me coziam, só que ela estava bem e tinha umas marcas na cabeça. Passado cerca de meia/uma hora voltei ao quarto e ainda estive à espera dela. Entregaram-ma e foi quando soube que além das feridas que tinha na cabeça e no olho, ela foi reanimada e não mexia o braço direito. Fez uma lesão nos nervos ao ser puxada, dito por uma enfermeira na altura, disse ser comum nos bebés grandes. Hoje, passados 4 meses foo operada ao bracinho, a lesao era tao grabde que o Dr. teve que a abrir em 3 sitios. Antes disso estava a ir 2 vezes por semana à fisioterapia com ela, pouco melhorou do braço e por isso teve que ser operada. Uma operacao de 9 mil euros. Sim operavam no publico mas eu foi ao melhor porque se trata da minha filha. E nao, nao tenho 9 mil euros assim à mao. Confesso que estou aterrorizada. Dou graças a Deus por ter a minha filha comigo. Mas se não fosse por teimosia isto poderia ter sido evitado. Nem eu ainda estou recuperada a 100%. Demorei dois meses a sarar e ainda sinto impressões e de vez em quando sai pus..

 
Escrevi reclamação parecida a este texto no livro do hospital à qual o hospital respondeu ser tudo normal e não haver nada a apurar por estar tudo bem. Não aceito a resposta, há situações de perigo que podem e devem ser evitadas e claramente a vida da minha filha foi colocada e esteve em risco. Não sou médica para saber os riscos de um parto por ventosas e forcepes, e infelizmente tive que passar por isso para saber. Nunca me pediram autorização para usar esses meios, apenas  fui informada que iriam tentar as ventosas... só em cima do momento soube dos ferros e já  desesperava. Assim que os vi entrei em panico e só me controlei porque a vida da minha filha estava em risco. Nem sei como aguentei 1 hora a fazer força para ela nascer no meio de tanta dor. E nunca imaginei a tamanha violência.

 

Agradeço a uma das Doutoras que assistiu ao parto por ter acompanhado a minha recuperação, no entanto se ela não achasse assim tão má não me teria acompanhado pessoalmente. E de facto estava a cicatrizar bem, mas isso não impede terem feito os estragos que fizeram. Uma pessoa que faz  parto normal não demora quase 2 meses a recuperar! Fez 4 meses dia 6 deste mês e ainda me sinto dorida e com medo. A minha vida sexual tão pouco está próxima de voltar ao normal. Cada vez que penso nisso apetece-me fugir. Acho que não é normal uma mãe após um parto ter pânico de ter relações novamente, pânico da dor que pode sentir e de voltar a engravidar.

 

Relativamente à minha filha... Espero que o facto de ter sido reanimada não lhe traga futuras complicações. Só de pensar que teve que ser reanimada...

Eu tinha 80cm de anca, menos que uma modelo daquelas bem magras e a minha filha nasceu com 4,330kg. Tiraram-na à força e daí a lesão no braço, ficou para trás disse-me uma enfermeira. Percebo que a lesão tenha sido o modo de a tirarem de dentro de mim e evitar o pior naquela altura, mas teria sido evitada se tivessem seguido com a cesariana. A medicina está bastante evoluída, esta "carnificina" é desnecessária nos dias de hoje. Agira após ela ficar um mês com o braço imovel vamos voltar á terapia, antes eram duas vezes por semana, agora ainda nao sei como vai ser. É complicado ver uma criança de 4 meses passar já por tanto.

 
A minha situação podia ser pior, mas não tenho que me conformar com o que fizeram.

Data 21-03-2014

De Paula Costa

Assunto Abuso obstétrico - Como prevenir?

Responder

Estou grávida de 6 semanas. Penso muito como vai ser o parto. Gostaria que fosse o mais natural possível. Gostaria muito de o fazer na água. Mas tenho muitas dúvidas.
Não queria sofrer deste tipo de abuso, mas como o confrontar?Como me prevenir?Quero que durante o parto só se faça aquilo que realmente é necessário. Acho que a maior parte das grávidas e da sociedade aceita isso como natural. As grávidas aceitam-no porque não se sabem defender e tem um medo físico pelo filho que vai nascer.

ADVERTÊNCIA IMPORTANTE:

As mentoras do "projecto mal me quer" não são profissionais de saúde. Todo o conteúdo deste site tem carácter meramente informativo e não substitui o acompanhamento técnico e profissional especializado.

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